Construção da comunidade em torno do Speco

Aqui vamos contar as histórias do processo de articulação comunitária com os SPGs, para formar uma comunidade em torno do sistema de gestão Speco.

Equipe Speco
Foto: Millena Leal

Articulação com Fórum Brasileiro de SPGs

Jovana Moschen

Nosso processo de articulação com o Fórum Brasileiro de Sistemas Participativos de Garantia iniciou através da Rede Ecovida, maior SPG do Brasil e com uma grande representatividade nas decisões e contribuições dentro do Fórum.

A Rede Ecovida construiu o Speco juntamente com a Tekoporã, se baseando em princípios políticos de soberania digital alinhado com os princípios da agroecologia. Ela entende que este caminho pode, e deve, ser compartilhado com os demais SPGs do Brasil e do mundo. Desde o início deste processo, o sistema Speco já foi pensado e construído para ser compartilhado.

Neste nosso projeto junto da comunidade piloto do Float, conversamos inicialmente com a Rede Ecovida para escolhermos alguns SPGs para entrevistarmos e, assim, conhecermos o funcionamento deles. Cada SPG tem o seu jeitinho de funcionar, sendo que alguns são maiores e outros menores, e a essas partilhas são fundamentais para podermos customizar o Speco para cada SPG.

A Rede Ecovida vem desde 2024 conversando com a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), acerca da necessidade dessa empresa de realizar um levantamento dos dados da produção orgânica do País. Em 2025, a Rede Ecovida informou à Conab que já possui um sistema informatizado, e que teria a possibilidade de uma API para a Conab receber essas informações. Nesta conversa online, a Conab propôs que utilizássemos um chatbot pelo Whatsapp para os agricultores registrarem as informações de sua produção.

Em 2026, aconteceu mais uma reunião em Brasília/DF, entre o Fórum Brasileiro de Sistemas Participativos de Garantia e a Conab. Esse encontro foi muito importante, pois aí a Rede Ecovida conseguiu apresentar o Speco para os demais SPGs participantes e para a Conab, destacando sua característica de ser livre e de código aberto. Neste dia, o Fórum tomou a decisão de que o Speco será o sistema a ser adotado para os SPGs repassarem os dados de produção.

Após esta reunião, iniciamos o diálogo com os SPGs através das entrevistas. Os SPGs entrevistados foram: ANC, Floriô, Abio e Orgânicos Sul de Minas. As conversas foram onlines com a duração de cerca de duas horas por SPG, para nos conhecermos e entendermos o funcionamento de cada um.

Todas essas conversas foram muito ricas e importantes para nós da Tekoporã, pois conseguimos ter dimensão do tamanho da produção orgânica nos SPGs brasileiros, além de compreender melhor essa forma de certificação participativa, que permite as famílias agricultoras e as demais organizações terem a sua autonomia enquanto sociedade civil.

No início do mês de junho de 2026, tivemos nosso Encontro de Lançamento da Plataforma Demonstrativa do Speco, em Tubarão/SC. Originalmente, a ideia era convidar os SPGs do Fórum para se encontratem e discutirem os desejos de futuro comunitário. Devido aos custos e à disponibilidade das organizações, no entanto, decidimos reunir as pessoas que trabalham no Speco nos 34 núcleos da Rede Ecovida. O Encontro se tornou, então, um espaço de celebração e socialização da trajetória de construção do sistema. Nesse evento, tivemos a parceria da Coordenação da Rede Ecovida, considerando a demanda da Rede por este encontro, para estarmos juntos e juntas, fazermos trocas, tirarmos dúvidas e aprendermos mais sobre tecnologia na agroecologia. Também esteve presente a coordenadora do SPG ANC, Milene, trazendo a experiência desse outro SPG, e o desejo de formarmos comunidade em torno do sistema.

Em paralelo, estivemos discutindo com a Conab uma proposta de financiamento para a implementação do Speco em outros SPGs do Fórum, associado a uma API para transferência das informações à Companhia. Neste projeto piloto, reunimos 11 SPGs, dos quais 2 seguirão com seus sistemas individuais, e 9 adotarão o Speco com acompanhamento da Tekoporã. Este contato direto com os SPGs fez com que nós pudéssemos consolidar ainda mais essa parceria entre a Tekoporã e os SPGs.

Percebemos que todo este trabalho vem sendo desenvolvido por pessoas que acreditam na tecnologia como uma ferramenta de soberania, assim como acreditam na agroecologia como o caminho para produzir alimentos e relações saudáveis. Estar diante de todas essas pessoas e toda essa Rede é algo muito potente e grandioso. E os encontros presenciais, acima de tudo, alimentam essa chama e mantém ela viva, pois entendemos que sozinhos não chegamos a lugar nenhum.

Trabalhar em Rede é assim: tecendo os nós, firmando parcerias e mantendo ela sempre forte para continuar pescando bons peixes.